A indigência da esquerda que constrói espantalhos

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Marina Silva orando. O que isso quer dizer? Nada.

A reportagem sobre a bancada evangélica (transcrita abaixo) apenas reforça a hipótese defendida por esse blog: enquanto se constrói o espantalho do conservadorismo evangélico intrínseco (como tentamos defender no nosso último texto – aglutinando-se tendências protestantes díspares como se elas fossem idênticas – a ser combatido, o conservadorismo laico-católico é o grande pilar dos retrocessos sociais e políticos do Brasil contemporâneo – e sem receber a ira crítica da esquerda (que cai, de forma indigente, na construção de um inimigo unitário a ser combatido). Toda vez que alguém se refere à ‘bancada evangélica’ como responsável por esses retrocessos fingindo ou sequer notando que ela não é majoritária ou que é idêntica a uma ‘bancada religiosa’ em sentido amplo corrobora a crítica de Marina Silva sobre o caráter enviesado das críticas a Feliciano (de resto, Marina faz isso como evidente jogo de cena em busca de somar apoio e base eleitoral para 2014 – o que não deixa de ser o comportamento político padrão dos envolvidos na corrida presidencial).

Parte da esquerda, inclusive, já assumiu o próprio envolvimento de evangélicos (de diferentes matizes) na política como mal em si, como denota ao anunciar, com evidente tom crítico, que a criação da Rede Sustentabilidade tem a participação de evangélicos na coleta de assinaturas (cerca de 1/5 das assinaturas seriam de evangélicos), o que seria indício inequívoco do ‘endireitamento’ da candidata. Falham, miseravelmente, entretanto ao sequer perceber que os evangélicos são, hoje, mais de 1/5 da população brasileira (cerca de 22%), não havendo, portanto, nenhuma sobre-representação de evangélicos na criação da Rede.

Atuação de evangélicos na Câmara é restrita e dispersa

Bancada tem representação menor que população que declara essa religião

Grupo só atua de forma coesa em poucas votações, entre elas as que tratam de restrição ao consumo de bebidas

FABIANO MAISONNAVE DE SÃO PAULO

A bancada evangélica da Câmara dos Deputados ampliou recentemente a visibilidade ao assumir o controle da Comissão de Direitos Humanos. Mas a aparente demonstração de força esconde um bloco de 66 deputados disperso entre 16 partidos e 24 igrejas, com articulação quase nula em votações.

Contrariando a percepção de que os evangélicos tenham uma representação exagerada, o percentual da bancada sobre o total da Câmara (15%), é menor do que a população que se declarou evangélica no mais recente Censo do IBGE, 22,2% –embora tenha quase que dobrado em relação à legislatura anterior, quando contava com 36 deputados.

Com raras exceções, a atuação da bancada evangélica está longe de ser suprapartidária. Há alguns dias, por exemplo, deputados do bloco estiveram no centro do embate entre governo e oposição por causa da Medida Provisória dos Portos.

O deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) apresentou uma emenda ao texto original tachada de “Tio Patinhas” pelo também evangélico Anthony Garotinho (PR-RJ). O detalhe é que ambos são da Igreja Presbiteriana.

Garotinho, aliás, já foi processado por Benedita da Silva (PT-RJ), também evangélica, por danos morais. E é rival declarado de Eduardo Cunha (PMDB), ligado à igreja Sara Nossa Terra.

A deputada petista, por sua vez, é historicamente ligada aos movimentos negros, ferozes críticos de Marco Feliciano (PSC-SP), processado por racismo ao dizer que os africanos sofrem de uma maldição bíblica.

Nem a bancada da Universal, a mais coesa entre os evangélicos, é totalmente unida: embora seis deputados sejam filiados ao Partido da República, um é do PRB.

DESTAQUE

O bloco evangélico também tem pouca influência individual. Somente quatro deles aparecem na lista dos cem parlamentares mais influentes do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), órgão de interlocução entre Congresso e entidades sindicais.

Por outro lado, muitos têm problemas com a Justiça: 32 são réus em processos no Supremo Tribunal Federal.

Falando sob a condição de anonimato, um deputado disse que vê três grandes grupos na chamada bancada: o núcleo duro, formado por pastores, como Feliciano; os que costumam aparecer quando convocados, caso de Garotinho; e os que praticamente não participam, incluindo Benedita.

AÇÃO FOCADA

“A Frente Parlamentar Evangélica defende a vida e a família”, diz o deputado e pastor Roberto de Lucena (PV-SP) sobre o escopo da atuação do bloco.

Ele é um dos quatro vice-presidentes da bancada liderada por Paulo Freire (PR-SP), pastor e filho de José Wellington, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, principal entidade da maior denominação evangélica do país.

Lucena disse que só se lembra de duas votações em que a bancada se articulou.

O endurecimento da lei contra motoristas alcoolizados e o apoio a uma emenda que mantinha a proibição da venda de bebidas alcoólicas em estádios durante a Copa, ambas no ano passado.

No caso dessa emenda, 40 evangélicos apoiaram a proposta, incluindo três peemedebistas, contrariando a orientação partidária.

Lucena é o relator do controvertido projeto que permite que psicólogos promovam tratamento para “curar” a homossexualidade.

Nas comissões, a bancada evangélica é hegemônica só na de Direitos Humanos, presidida por Feliciano: são 7 dos 11 titulares, incluindo os três vice-presidentes.

Colaborou PAULO GAMA, de São Paulo”

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