Por uma agenda comum para as esquerdas

A procura de uma agenda comum por parte das esquerdas – e aqui se parte de uma posição insustentável (para os cultores da onto-ideologia para quem mais importa refletir sobre a questão do ‘ser’ da esquerda do que propriamente intervir no real) que considera o PT como partido de esquerda que encabeça uma coalizão ideologicamente cinzenta, mas ainda em disputa – é (ou deveria ser) uma das preocupações centrais do campo da esquerda no Brasil. Impera, entretanto, a velha e bastante conhecida luta fratricida entre os seus diversos ramos.

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O diálogo entre as esquerdas pode e deve ser mais exercitado.

Assim, parte da esquerda (onde se destaca, por sua capacidade eleitoral, principalmente o PSOL) critica, por exemplo, violentamente a situação econômica – como se estivéssemos à beira do abismo (e não estamos) – e confrontados com a baixa taxa de desemprego, correm para demonstrar que as vagas criadas são de baixo rendimento. Caberia lembrar que é bastante mais complicado (e demorado) transformar a estrutura ocupacional de um país – isso envolve um esforço concentrado em diferentes áreas como educação, ciência e tecnologia, etc. (o que, de certa forma, vem sendo feito) – e que a criação de vagas de baixo rendimento atende àquelas setores cujas necessidades são emergenciais e constituem uma das bases da expansão econômica e da mobilidade social dos últimos dez anos.

Enquanto se ocupar com críticas rasteiras como essas, recusando-se a conceder que os dez anos do PT na presidência da República foram de alguns avanços significativos – e não travar o debate que atualmente interessa ao horizonte social e político do país, a saber, o aprofundamento do reformismo que parte desse patamar e deve se preocupar, de agora em diante, com a melhoria dos serviços públicos, como saúde, educação, cultura, saneamento básico, entre outros, travando a disputa ideológica pelos setores sociais emergentes na chave da cidadania e encaminhando a luta pela hegemonia em questões importantes e críticas como a segurança pública e os direitos humanos (nesse últimos dois pontos, se ressalte, já há significativo trabalho de setores da esquerda não-governista), certa esquerda não vai entender as razões da vitória do lulismo e muito menos vai disputar o mesmo campo que o PT.

Da mesma forma, a busca de uma agenda comum de esquerda importa ao PT pois é o caminho que lhe permitirá oxigenar os seus quadros em um momento no qual a simbiose partido-Estado começa a degenerar, a rendição ao estritamente possível no interior de uma coalizão sem maioria esquerdista se configurando como alerta para o refreamento da atividade transformadora e um enfraquecimento ainda mais pronunciado do reformismo praticado pelo partido enquanto ator político principal do cenário institucional brasileiro.

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